“Quando já não havia outra tinta no mundo, o poeta usou do seu próprio sangue.
Não dispondo de papel, ele escreveu no próprio corpo.
Assim, nasceu a voz, o rio em si mesmo ancorado.
Como o sangue: sem voz nem nascente”.
– Mia CoutoEm uma fascinante entrevista à Revista Época, o escritor moçambicano polemiza com a afirmação que o português do Brasil “vai dominar” (as outras versões do português por causa do alcance do português brasileiro). Como razões para o sucesso do português brasileiro, Couto afirma que o Brasil sabe exportar sua cultura com as novas diretrizes políticas e de assistência social e também pela força das telenovelas.

Na minha vida tradutória, muito do que traduzo ao português e do português. vai para ou vem do Brasil; portanto, em termos de tamanho de mercado, esta afirmação também faz sentido se considerarmos o Brasil um mercado mais expressivo comercialmente do que Portugal e os países lusófonos na África.

Couto afirma ainda que alguns intelectuais conservadores do Brasil e Porutgal, com um certo gosto de se apropriar da pureza da língua ainda defendem as formas “puras” do português nos seus respectivos países, mas que existe nos países lusófonos até um gosto de visitar essas diferenças. É o caso do “cúmulo da globalização”, quando africanos começaram à se cumprimentar à indiana pela influência da novela brasileira Caminho das Índias.

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