Em uma recente apresentação na FLIP 2011, a Festa Literária Internacional de Paraty, que neste ano aconteceu entre 6 e 10 de julho, Ana de Hollanda, Ministra da Cultura, apresentou um programa que apoiará a tradução de obras brasileiras no exterior. O plano é ambicioso: em 10 anos, disponibilizar US$ 7,6 milhões para começar a traduzir as grandes obras da literatura brasileira ao inglês e espanhol.

E, para quem não sabe, a Ministra da Cultura Ana de Hollanda é irmã do cantor Chico Buarque de Hollanda e embora menos famosa do que o irmão, também já foi cantora e compositora. O comparecimento da Ministra na FLIP parece revelar, no mínimo, uma preocupação com a atualidade da literatura brasileira.

De fato, a FLIP se tornou um festival literário anual badalado, que completa 8 anos de idade este ano e que acontece em Paraty. Hoje ele é considerado um dos maiores e mais importantes festivais literários do mundo e não é para menos: só em 2011 foram 58.790 visitas únicas ao web site desde 1º de julho, 129 convidados (dos quais 29 eram internacionais), 135 eventos, 40 mil espectadores,  62.500 streamings da transmissão ao vivo,  2.000 seguidores no Twitter, 3.000 “curtis” e 50.000 visualizações por dia na página do Facebook durante a FLIP, cuja receita atingiu R$ 6,8 milhões. Mas a FLIP não é só números: no passado, o festival atraiu escritores do calibre de Salman Rushdie, Margaret Atwood e Nadine Gordimer.

Para termos uma ideia da literatura brasileira já traduzida ao inglês, Paula Góes,  jornalista brasileira radicada em Londres e blogueira no talqualmente, compilou uma lista que revela traduções ao inglês de quase 40 grandes escritores da literatura brasileira. A lista promete agradar a todos os gostos, desde os mais “clássicos” e universais como Machado de Assis e Jorge Amado, até os mais contemporâneos e controversos, como Paulo Coelho e Jô Soares.

O grande empecilho para que a literatura brasileira chegue pra ficar de vez aos Estados Unidos ainda parece ser a falta de interesse das editoras americanas em publicar textos estrangeiros e
m tradução – de acordo com o jornal Christian Science Monitor, somente cerca de 3% dos livros publicados nos Estados Unidos são traduções ao inglês de obras estrangeiras.

O que nos resta esperar então, é que toda a publicidade econômica e comercial que o Brasil vem criando na mídia como país emergente, “país do futuro”, se converta também em um interesse cultural do público americano pela rica literatura brasileira.

 

 

 

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *